quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Um país de merda



Enoja-me, a sério: enoja-me! viver num país onde seis homens morrem afogados a vinte metros da praia depois de esperarem duas horas, raça: duas horas!, por socorro. E enoja-me saber (de ginjeira!) que esta tragédia passará à história como tantas outras: ninguém será responsabilizado depois do «inquérito» da praxe. Não há culpados. A merda da impunidade do costume.
Também não quero saber se o helicóptero do Montijo era o mais indicado, nem me interessa se as lanchas salva-vidas são velhas e obsoletas. Se são, não deviam ser.
A única coisa que me interessa saber é POR QUE RAZÃO NINGUÉM SE REVOLTA - MAS REVOLTA A SÉRIO - CONTRA ESTAS MISÉRIAS. MORRERAM SEIS PESSOAS SEM NECESSIDADE NENHUMA, RAÇA!!!
Custa-me imenso dizer isto, mas país onde, à vista de toda a gente, morrem seis homens a vinte metros da praia, é um país de merda. De merda.

Bom Ano para todos

Barão de Lacerda

2 comentários:

Manuela Alves disse...

Justa indignação, caro Barão... uma semana e um par de desculpas esfarrapadas depois, eis o assunto morto e a caminho de ser enterrado. E com ele a dignidade de seis infelizes que apenas tiveram o azar - supremo azar - de naufragar na costa de um país de marinheiros...
Lamentável!

Manuela Alves

Pedro Gouveia disse...

O direito à revolta, lembram-se?
... Numa coisa estou de acordo consigo, Barão: é dificil ser-se uma pessoa de bem (o senhor tem todo o ar de ser) e não ficar AGONIADO (REVOLTADO! ENOJADO!) com acontecimentos destes.
O cancro deste país é sempre o mesmo: a impunidade.
Erra-se, asneira-se, estraga-se, desperdiça-se, provoca-se prejuízos (até mortes) e nunca há responsáveis. Nunca. Em Portugal a culpa e a respesctiva punição estão unica e exclusivamente reservada para os pequenitos.
Depois, dão-nos uns Vales e Azevedos e uns Carlos Cruzes de vez em quando para entreter.