quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Praga de Inverno



Praga no Inverno ganha uma densidade de Guerra Fria. Nevoeiros e brumas. Encontros. Cantos, recantos, vielas e becos mal iluminados. Sombras. Fugidias. Kafka atormenta esquinas a partir das seis. Passos desconhecidos.
Teme o que não vês. Pistola e silenciador. O homem de Leipzig. Bruma. Frio. Cachecóis. Música clássica. Castanhas assadas. O homem do realejo. Pode ser um espião. O alemão sinistro dissolve-se a meio da ponte Carlos. STASI. Frio de rachar. Zeiss. O elécrico passa rápido tlim, tlim. Lá dentro vai um búlgaro de Sófia com um microfilme no bolso do sobretudo. O contacto.
Praga. U-Fleku. Arte Nova. Arte Déco. O cemitério. O correio de Dresden. Jena. O dr. Repka recebe ao jantar o ilustre colega vienense Obermayer. O contacto. Candelabros. Luvas. Gorros. Espelhos.
Passa outro eléctrico, tlim, tlim.

Barão de Lacerda

1 comentário:

teresa m.t. disse...

Texto delicioso. Parabéns. Reconheci nele a sonoridade invernal de Praga, uma cidade que adoro