segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Domingos Amaral dá valente porrada no sr. Pinto da Costa





Domingos Amaral, director de uma revista de gajas boas («Maxmen»), escreveu, no «Diário Económico» (em cima), uma artigalhada suficientemente interessante para ser citada no RESTAURADOR OLEX. Um abraço nesses ossos, Domingos. E põe-te a pau, rapaz. Eles andem aí e não gostam nada destas merdas.
Eis a peça do Domingos:

«Desde Miguel Sousa Tavares aos Gatos Fedorentos, desde Dias Ferreira às revistas popularuchas de televisão como a TV 7 Dias, o ataque a Carolina Salgado foi avassalador. Mal se soube que a senhora tinha escrito um livro onde contava pormenores sobre a vida com Pinto da Costa e revelava alguns dos métodos do presidente do FC Porto para atingir os seus objectivos, o coro de protestos foi imenso. O tom de superioridade moral da maioria foi espantoso: para quase todos, tratava-se de uma senhora reles, sem carácter, duvidosa. Numa palavra, tratava-se de um alvo a abater, e depressa. A tentativa de assassinato de carácter que toda esta gente fez a Carolina Salgado é reveladora, não só dos instintos machistas grosseiros e boçais que ainda prevalecem por cá, como dos instintos de classe.

Carolina Salgado não é uma menina bem, não vem de boas famílias, cometeu muitos erros na vida, comeu o pão que o diabo amassou, deixou-se usar numa guerra suja, meteu a mão na anca quando foi preciso e sujou as mãos quando lhe pediram. Sim, é tudo verdade, e também trabalhou como alternadeira, no Calor da Noite. Porém, isso não a diminui aos olhos do mundo, não lhe retira força. Bem pelo contrário. A vontade expressa de a enxovalharem, de a vilependiarem, é apenas uma estratégia, reveladora de um preconceito fortíssimo, um preconceito vil e ignóbil, daqueles que se julgam virtuosos. É tão fácil atirar-lhe pedras, cuspir-lhe na reputação. Tal como muitos chamaram às vítimas do processo Casa Pia prostitutos e mentirosos, agora também chamam a Carolina tudo e mais alguma coisa. É preciso diminuí-la, desgastá-la, descredibilizá-la. A defesa de Pinto da Costa já começou, e os seus lacaios fazem-lhe o servicinho, tendo por isso como aliados os idiotas úteis do costume. É preciso baralhar o povo, confundir as pessoas, para os imorais triunfarem.

Mas, convém ter bem a noção do que se está a passar.
Pela primeira vez em vinte e tal anos, houve um terramoto no Porto. Sim, um terramoto de grau muito elevado.
As coisas que Carolina revela, e a coragem com que o faz, são terríveis, e mostram que tudo o que se suspeitava pode bem ser verdade.

Aqui há uns anos, quando José Mourinho regressou ao Porto, já como treinador do Chelsea, levou seguranças, e perguntaram-lhe porque o fazia.
Ele respondeu: “quando vou a Palermo, tem de ser assim”. Palermo... Palermo é a capital da Sicília, terra da Mafia, da Cosa Nostra.
José Mourinho tinha sido treinador do FC Porto, onde tinha vencido uma taça UEFA e uma Liga dos Campeões. Sabia do que falava. Ele vira, por dentro, como funcionava a casa de Pinto da Costa, quais os métodos e as artes. E falava em Palermo... Pena que não tenha sido mais corajoso, contando o que viu. Coragem essa que não falta a Carolina Salgado, fazendo com isso saltar dos eixos o futebol português. Agora, parece ter chegado o tempo de começarmos a saber o que se passa. Agora, esse poder oculto do futebol português vai submergir, vai ser posto a nu, e vai queimar muita gente.

Agressões a vereadores de Gondomar, conversas com árbitros em casa, gavetas cheias de dinheiro, colaborações secretas com a PJ do Porto, controlo das classificações do árbitros, suspeitas de associação criminosa. Ao pé das acusações que caiem sobre Pinto da Costa, Vale e Azevedo parece um aprendiz e no entanto foi parar à cadeia. Veremos se a justiça portuguesa considera mais grave uma burla do que uma associação criminosa.

Mas, nos salões bem pensantes de Portugal, nas redacções dos jornais, nos cafés, o que está a dar é achincalhar Carolina Salgado. Chamar-lhe nomes, gozar com ela, é que é giro. Os portugueses são um povo muito curioso, nunca levam a sério o que é sério, preferem a reputação à substância.
Por causa dessa característica antropológica, transformam tudo num espectáculo de circo, sem perceber que assim contribuem para perpétuar uma sujeira e não para a limpar. Mas, enquanto há vida, há esperança.
Em Palermo, as coisas também mudaram um dia...»

3 comentários:

joão freitas xavier disse...

Porrada bem dada. Toda a gente sabe que Pinto da Costa é um vigarista encartado.

Castro da Cola disse...

Há uns anos largos, eu, jovem repórter de A Capital, Artur Jorge treinador do FC Porto e Jorge Nuno presidente da colectividade das Antas, tivemos uma trica. Os três desentendemo-nos: o Artur disse umas inconveniências sobre o Belenenses e o seu treinador, um belga chamado Heny Depireux, e eu escrevi; outros «receberam ordens» para se calarem. E calaram. Eu, como não era alinhado e não tinha medo, escrevi tudo, «ipsis verbis», os desabafos do poeta.
Fui ameaçado, perseguido, andei acagaçado, mas consegui sair incólome da estória. Não me aconteceu mal algum, mas deu para ver os métodos da criatura, com quem cheguei a conviver no estrangeiro e que me tratou nas palminhas... mas isso foi por causa de outra estória... pode ser que um dia a conte... pode ser...

O Restaurador Olex disse...

Estimado Castro da Cola

Rebeça um abraço amigo
do RESTAURADOR OLEX!
Nós conhecemos MUITO BEM
os custos de andar com a espinha direita [ohhh, se conhecemos]. E não gostamos nada - mesmo nada, nadíssima! - de mafiosos, corruptos, graxistas e videirinhos.

Bom Natal e um óptimo 2007 para o Amigo, são os votos desta pandilha