terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Budapeste, a História não se apaga



O Parque representa para os húngaros um tempo maldito de opressão, tristeza e amargura. Mas tem um mérito: o simples facto de existir. O aglomerado de ícones ordeiramente dispostos revela por parte dos Budapestinos grandeza de espírito e um justo sentido da História. A História, como se sabe, não se apaga consoante os ventos e as conveniências.
Noutros países da antiga cortina de ferro, a íconografia pública comunista foi simplesmente destruída ou fechada em armazéns. Na Letónia e na Lituânia, por exemplo, bem que cirandei pelas ruas à procura de mamarrachos «socialistas» e não encontrei um Lenine ou um Marx para amostra. Tinham sido quase todos destruídos pelo povo, nas grandes convulsões de 1991. À martelada e à marretada. As sobras ficaram como o Muro de Berlim: arruinadas.

Barão de Lacerda

2 comentários:

LaBellaMafia disse...

Estimado Barão:

Diga-me uma coisa, o que opina das gentes de Budapeste... porquê? recentemente tive o prazer de ver relatada uma experiência semelhante à sua que ía do grande Balaton à capital Húngara, apoiado por excelentes artigos visuais, no entanto ficou-me na ideia que as pessoas são soturnas e desinteressantes... queira contradizer-me.

saudosamente
BM

O Restaurador Olex disse...

Estimada BellaMafia

Não diria que os Húngaros são soturnos. Talvez apreensivos, ansiosos, expectantes.
Para eles tudo ainda é relativamente novo: estão a tactear o seu espaço na nova Europa. Mas o povo é geralmente hospitaleiro, embora no campo se note alguma desconfiança com os forasteiros.

Cara Amiga, mas é normal. Veja. Os Húngaros sofreram horrores indizíveis às mãos dos nazis na II Guerra Mundial e logo de seguida, que lhes aconteceu? Outra desgraça: os soviéticos «libertadores» impuseram-lhes 40 anos de comunismo em cima... com uma valente atrocidade de permeio [o esmagamento da revolução de 1956].
Veja a sorte destes desgraçados!!!

Tudo isto fez muita mossa à velha e nobre Hungria.
E, como calcula, há mazelas [sociais, culturais e económicas] impossíveis de curar em escassos 15 anos.
Até porque a URSS, após a revolta de 1956, aniquilou sem contemplação o «animus» magiar...
da mesma forma que Roma arrasou impiedosammente Cartago.

Não sei que idade tem a minha Amiga [nem lhe vou perguntar, helas!], mas imagino que era muito nova -- quiçá uma criança -- quando aconteceu o 25 Abril. Talvez a BellaMafia não tenha ideia de como Portugal era pobre e atrasado em 1974.
Quinze anos depois, o País estava irreconhecível para melhor, mas um alemão [ou um sueco] que nos visitasse por volta de 1990 teria muitas dúvidas e perplexidades... as mesmas que hoje talvez assaltem um Português de visita à Hungria...

Capisce?

É tudo uma questão de tempo. E paciência.
A Hungria tem um passado altamente recomendável [de que Buda+Peste é glorioso testemunho, aliás] e,
note bem!, uma situação geográfica bem mais favorável do que a nossa. Estão os magiares no coração da Europa, paredes meias com o poderoso vizinho alemão e com um olho gulosamente virado a leste -- Ucrânia e Rússia, nomeadamente.

Estimações cara Amiga e saudades da magnífica e geladíssima Praga [fiz o desviozinho que se impunha antes do regresso ao verde Alentejo]

Barão de Lacerda