quarta-feira, 29 de novembro de 2006

A Choldra




Leio no «Público» as «recomendações» - chamemos-lhes assim - do douto Tribunal de Contas (TC) à assembleia-geral da Metro do Porto: que tratem de reapreciar a atribuição de cartões de crédito aos administradores não executivos para despesas de representação, nomeadamente aos srs. Valentim Loureiro e Narciso Miranda. Além do vencimento, revela o jornal, estes dois figurões têm direito a 1.250 euros mensais em cartão de crédito da empresa. E há mais. Todos os administradores não executivos [entre eles os srs. Rui Rio e Mário de Almeida] abarbatam 3.250 euros/mês (sic) «por via da mera comparência a reuniões quinzenais da administração» (!!!). Porra. É um fartar vilanagem!!!

E há mais. O TC considera que os prémios de gestão aos administradores executivos [95 mil euros para o presidente (!!!) e 87 mil euros para os outros dois (!!!)] é «elevado» (a sério?) e «não ligado a objectivos» (oh, really?).
É nojeira atrás de nojeira, portanto. Por mim, o que mais me exaspera é ver como esta gentalha continua a servir-se das finanças públicas na maior das impunidades. Note-se: desta camarilha não esperava eu outra cousa. É ler-lhes a «folha de serviços». Está lá tudo. Há muitos anos. Devo dizer, aliás, que tenho o maior dos desprezos – melhor: uma repulsa visceralíssima - por gente como Valentim Loureiro, Narciso Miranda e o Mário de Vila do Conde. E Fernando Gomes, Avelino Mata Torres e Fátima Felgueiras.

Só não estava à espera de ver o Rui Rio com o «garfo» também metido no bolo. Tinha dele a impressão de ser um sujeito trombudo, sim, mas também sério e rigoroso. Bom de contas, se me entendem. Afinal... se calhar estragou-se. Talvez das companhias.

Barão de Lacerda

4 comentários:

Anónimo disse...

Assino por baixo. Idem. ibidem

Castro da Cola disse...

E o tristemente engraçado é que essa cambada continua anos a fio a balancear-se no poleiro com o nosso aval. (Mesmo que nenhum de nós tenha votado em qualquer desses jagunços).
Mas pronto, barão, vá de viagem até Budapeste, onde uma noite, após um mega jantar - só pratos foram dez; garrafas de tinto perdi a conta -, assisti a uma das melhores (mais engraçadas)cenas canalhas da minha vida.
A degustação foi acompanhada tendo por som de fundos os acordes tirados por uma orquestra cigana. No final do repasto pagámos generosamente a actuação, entregando ao solista (um velho violinista) um maço de notas - aí uns três contos, o que para os locais deveria representar uns dois ordenados médios.
Só que o bom homem deve ter trocado as notas de papel pelas musicais e terá pensado que se nestas as regras eram impostas por ele, então as lecas que os tugas lhe entregaram deveriam ser todas para ele.
O tanas: os outros regiam-se todos pela velha cartilha da repartição equitativa e exigiram de pronto a sua parte. O que se passou a seguir foi uma autêntica refrega, com os instrumentos a voar pela adega de um dos melhores restaurantes da capital húngara e o velho homem a ser aviado de porrada de criar bicho até se decidir a largar o guito.
O grupo português zarpou de mansinho, com as contas em dia, mas sem nada querer ter a ver com o problema da repartição da riqueza mal resolvido.
Qual a lição desta estória: faça turismo, barão. Divirta-se, esqueça por algum tempo a trampa nacional, mas não tente perceber a merda da casa dos outros, porque lá, tal como cá só as moscas mudam.
Recorde-se da pulhice que o primeiro-ministro fez ao povo (e a resposta que levou...)

PS: se é apreciador de uma boa aguardente, então peça uma garrafa de Borparlat. É de cair.
Saudações alentejanas.

O Restaurador Olex disse...

Ó meu bom Castro da Cola, o que me ri com estas suas linhas. Boa pilhéria, sim senhor!
Pois ainda não me calhou refrega assim nos restaurantes onde tenho pousado, mas quanto ao resto [aguardentezinha incluída e uns quantos tintos simpáticos da região do Balaton],
corre tudo sobre rodas. Mas tenho saudade de um bom copanázio de tinto alentejano...
Há um par de anos tive uma janta opípara no sumptuoso Gundel [de caras um dos melhores restaurantes da Europa] mas desta vez vejo o Gundel de longe. A crise é geral e há que fazer escolhas. Não dá para tudo e Budapeste encarece a cada ano que passa.
O que me enervou o preço de uma bela moldura Art Déco que vi ontem num antiquário em Buda. Estupida e chocantemente proibitivo! Estive vagamente tentado a furtá-la [não era muito dificil, quis-me parecer] mas depois... enfim, a decência ainda fala mais alto e tenho muita vergonha de poder ser descoberto.

Abraço e estimações

Barão de Lacerda

Anónimo disse...

O barão no gamanço? olhe que faço queixa ao Rei...