quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Um auto danado...

Aqui há uns anos, durante a digressão mundial "Fado Alexandrino", depois de actuar no Olympia de Paris, não o dos filmes de cambalhota ali aos Restauradores, fui cear á "Lipp" e tive a sorte de, enquanto roía umas salsichas de Estrasburgo, estar a dar na ORTF o Tóino Lobo Antunes.
Eu, que já tinha lido uma coisa ou outra dele, nomeadamente o livro ao qual pedi emprestado o nome do espectáculo que era, por sua vez, dum faduncho conhecido ( há versões do "Alexandrino" do exímio guitarrista Armandinho, do Ti Alfredo ou a versão "do Noquinhas" do também guitarrista Fernando Freitas, pai do "Very Nice" Girão - aquela máquina...). Bom, certo é que fiquei ali preso ao televisor amais uns franciús que queriam á força nacionalizar o homem, tal a inteligência do que ia dizendo. Até parecia uma naifa de algum mânfio do Bairro Alto, de afiado que é!
"Ficam a saber, ó caraças, que dentro de "As Naus" não há só porteiras e torneiros-mecânicos, seus sacanas", afinfei-lhes eu, cheio de orgulho. No baú da memória elefantina, relembro que pela mesma época em Portugal até se dizia um bocado mal do gajo, não que plagiasse mas que assim e que assado.

Há pouco na RTP1, e tantos livros passados, lá estava ele de novo e finalmente. E nem a Judite atrapalhou a entrevista!
O Antunes, velho lobo das letras, contido e com grande classe, deixou algumas margaritas ante porcos (atenção que é Latim!). Das verdadeiras, não de cultura, quer dizer, de aviário, porque de Cultura eram. Já uns dias antes o Tóino tinha dado uma boa cartuchada numa sumária explicação á passarada que vem melhor que a encomenda:

"Não há livro que se publique em Portugal que não seja um grande romance. São todos grande romances - na contracapa. O pior é o que está lá dentro."

Um abraço castiço e um pontapé no cú dos Judas que para aí andam
Tawnny de Mattos

2 comentários:

Luis Faria disse...

Boa Tawny, bem esgalhado!

isabelinha disse...

Eu não gosto da pose do Lobo Antunes mas é o melhor escritor potuguês vivo. E que pena o Cardoso Pires não poder escrever mais mil livros... Tomara o Saramago que nem sabe da existência das vírgulas. Dos outros e das outras nem há nada a dizer.